Vacinação contra COVID - Imunização paralisada

Por Publicado em:28/05/2021 | Atualizado em:28/05/2021 120

Sem unidades para D1, Município questiona Estado sobre distribuição desigual e requisita vacina da Pfizer

Minas Gerais recebeu na última quarta-feira, 26, mais uma remessa de vacinas contra a Covid-19. Este é o 21º lote, contendo 622.590 doses, sendo 561.750 da AstraZeneca e 60.840 da Pfizer. Entretanto nenhum desses imunizantes foi destinado para Itatiaiuçu para aplicação da primeira dose, como forma de dar continuidade no Plano Nacional de Imunização – PNI. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o Município recebeu apenas poucas unidades para a aplicação da segunda dose em pessoas que receberam a D1 em 3 de março, como complemento da imunização.
Desta forma a campanha de vacinação em Itatiaiuçu precisou ser paralisada até que sejam destinadas novas doses para o município, uma situação que prejudica todos moradores e atrasa o PNI local. Preocupante ainda mais devido ao recente aumento de casos confirmados de coronavírus (ver matéria nesta página).
Em conversa com a reportagem, a enfermeira referência em saúde da Secretaria, Ingrid Faleiro, responsável pela coordenação da campanha de maneira geral, explicou que as últimas doses de D1 foram ministradas na semana passada, 30 ao todo, que chegaram na 20ª remessa, destinadas para pessoas com comorbidades.
Sem previsão de novos envios, ainda de acordo com Ingrid, o prefeito Adélcio Morais e o vice-prefeito Romer Soares estão trabalhando politicamente para mudar a situação do município. Reuniões com o governo do Estado foram marcadas, como destacou a enfermeira, para expor a situação e questionar a distribuição, que é feita em maior quantidade para determinados municípios.
“Estão sendo desiguais, tem cidade que recebeu um frasco só, com 10 doses, enquanto outros avançam e mudam o PNI, vacinando professores, como Divinópolis. De onde estão tirando estas vacinas? Alguém pode estar ficando sem. A distribuição deles não é clara”, disse Ingrid, falando sobre o controle feito pela Secretaria de Estado de Saúde – SES/MG.

À espera da Pfizer

A enfermeira referência em saúde de Itatiaiuçu afirmou também que o município tem condições de receber os imunizantes da Pfizer, porém ficou de fora da primeira distribuição feita a 47 cidades do interior no dia 20 de maio. Na região, Itaúna, Betim, Contagem, Divinópolis, Nova Serrana e Pará de Minas foram alguns dos municípios comtemplados, e um dos critérios era ter população acima de 79 mil habitantes, porém sem explicação dessa exigência em particular.
Em relação aos demais requisitos para armazenar as vacinas (como ter equipe capacitada para a administração; distância de, no máximo, 2h30min da capital; mecanismos de agendamento para vacinação; total de pessoas compatível com o consumo de 100% das vacinas a serem recebidas em no máximo 4 dias; administração dentro de seis horas depois da abertura do frasco; e conservação entre 2°C e 8°C após descongelamento), a Secretaria Municipal de Saúde afirma que atende a todos.
“Do mesmo jeito que chegou para Itaúna, poderia ter vindo para Itatiaiuçu, que está a 40 km de lá. Não faz sentido, temos profissionais capacitados e pessoas precisando ser imunizadas”, concluiu Ingrid.

Vacinação de professores

Apesar de ter orientado que o PNI seja seguido de acordo com a ordem estabelecida, sob risco de faltar doses para o público prioritário, o governo de Minas orientou nessa sexta-feira, 28, que os municípios que já realizaram a vacinação dos grupos de pessoas com comorbidades – e que ainda possuem doses direcionas a este público sobrando em estoque –avancem na imunização de outros grupos prioritários, como professores e trabalhadores da educação.
Outra demonstração de que há cidades com doses “extras”, enquanto outras lidam com a escassez de imunizantes, como Itatiaiuçu. A justificativa do secretário de Estado de Saúde, Fábio Bacchereti, é que o grupo de comorbidades é mais complexo de ser acessado do que o da Influenza, por exemplo, devido à necessidade de comprovação. Porém, ele acabou admitindo que há uma falha no método de avaliação para distribuição da vacina, pois, como o número de pessoas com doenças preexistentes é calculado com base no cadastro de imunização contra gripe, algumas doses acabam sobrando.

Última modificação em Sexta, 28 Mai 2021 19:33

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