Folha Entrevista - Anderson Cafu, pré-candidato a prefeito

Por Publicado em:29/08/2020 | Atualizado em:28/08/2020 537

O quarto pré-candidato a prefeito entrevistado pela FOLHA é o ex-secretário de esportes da administração de Wagner Chaves, Anderson Ferreira da Silva, conhecido como Cafu. Filho do pastor Wilson, da Igreja Batista de Itatiaiuçu, Cafu é conhecido pela sua atuação como voluntário no projeto social ACBD, que aproxima as crianças do esporte e tem 20 anos de trabalho na cidade. Aos 43 anos, casado há 21, Cafu é pai de um casal de jovens. Formado em Teologia e pós-graduado em Ciências da Religião, trabalhou como professor na Escola Estadual Manoel Dias Correa, de onde se afastou para trabalhar na igreja, fundada por sua mãe, que veio de Itaúna há cerca de 35 anos, cidade onde ele nasceu e que deixou aos 10 anos para se firmar em Itatiaiuçu.

FOLHA DO POVO – A sua ligação com a política foi através do governo de Wagner Chaves, quando você foi secretário de Esportes, ou você já tinha algum tipo de aproximação?

ANDERSON CAFU – Sempre gostei da política, sempre gostei. Quando trabalhei com o Wagner me despertou mais ainda, aprendi as entranhas da máquina, como a máquina funciona, como que é a administração.

FOLHA – Você participa do projeto esportivo ABCB. Você sempre foi ligado à área de esportes?

CAFU – Este projeto, da Associação Comunitária Beneficente Desportiva – ACBD, existe há mais de 20 anos. Tem crianças que hoje tem 30 anos e eu dei aulas para elas quando tinham 10 anos. Sempre fui voluntário lá. Quem fundou o projeto foi o pastor Wilson, presidente da Igreja Batista, que é o meu pai.

FOLHA – Então foi a partir da sua atuação no esporte e quando você participou da administração do Wagner Chaves que você pensou em atuar politicamente? Sua atuação política é na área social?

CAFU – Sim. Minha atuação política é na área social. Eu sempre fui convidado para estar participando do pleito, mas eu nunca quis participar. Sempre me convidaram, sempre, toda eleição chegava e eles me convidavam. Mas eu nunca... não achava que era o momento ainda.

FOLHA – E por que você acha que agora é o momento?

CAFU – Eu entrar nesta disputa política em Itatiaiuçu é um legado que eu tenho, é uma história que eu tenho, é um compromisso que eu tenho com o bem comum. Compromisso em defesa de valores, sabe? Compromisso com a minha cidade, porque eu amo esta cidade, então foi isso que me levou.

FOLHA – Como você enxerga a situação política de Itatiaiuçu como um todo?

CAFU – Como um todo? A situação que eu vejo é um desgaste político na situação, natural, foi natural este desgaste, 16 anos... E vejo a oposição, como eu posso falar? A oposição dividida também.

FOLHA – Você citou um desgaste na situação. Você concorda que nos últimos 16 anos a evolução de Itatiaiuçu, em todos os aspectos, foi muito grande? Inclusive começando em um governo no qual você participou?

CAFU – Sim, houve uma evolução. Mas eu acredito que ainda pode melhorar mais ainda.

FOLHA – Então o que você considera como desgaste?

CAFU – O desgaste natural que falo, porque não tem como. A criança que tinha um ano está com 17, a que tinha 14 está com 32 (sic), então acabou gerando um desgaste natural.

FOLHA – Itatiaiuçu hoje tem uma boa atuação na educação, saúde, assistência social, infraestrutura e meio-ambiente, hoje é uma cidade que oferece boa qualidade de vida. O que ainda precisa ser feito?

CAFU – Eu acho que a administração é boa, mas pode melhorar. Podemos valorizar mais os professores, porque eu também sou professor, né? Capacitando com cursos, palestras; olhar a possibilidade de colocar professor de educação física não somente do 6º ao 9º ano, mas também do 1º ao 5º; trabalhar o projeto de [Tempo] Integral em todas as escolas... Porque eu também fiz parte dando palestras e tudo, meu trabalho social também fez essa parte, mas quando eu falo do Integral nas escolas é ensinar pintura, crochê, capoeira, legislação aos meninos do 6º ao 9º ano, fazendo oficinas com a criança. Promover a utilização do Centro Cultural e do Parque de Exposições para o que foram criados, fazer coisas para os jovens, valorizar a classe artística da cidade, promover palestras. Para o Parque de Exposições eu tenho um projeto de fazer um campeonato de open, de peteca, vôlei, igual ao do Padre Eustáquio, em Itaúna, finalizando com shows. As pessoas veem o parque apenas para shows, mas tem outras ideias. Pretendo também organizar a Zoonoses, fazer um mutirão de castração.

FOLHA – O que você acha que é preciso em termos de infraestrutura urbana?

CAFU – Podemos pavimentar a zona rural, pavimentação, isso vai gerar até a questão do emprego, se a gente pavimentar o que pode ser pavimentado. A gente também trazer empresas para a cidade.

FOLHA – Estamos a 28 dias do prazo final para o registro de candidaturas, que é dia 26 de setembro, a situação política eleitoral da cidade estaria configurada com 3 candidatos: Wagner Chaves, Adélcio da Farmácia e você. Mas Wender Parreiras fala que vai para as convenções. Qual análise política você faz dessa situação?

CAFU – A análise que eu faço, pelo que vejo, por fora, no PSC está definido que é o Adélcio, parece que o grupo é fechado com o Adélcio. Não sei, eles vão ter que definir entre eles lá, vai ter que ser definido nas convenções, eu não sei falar, porque não estou à parte 100% disso.

FOLHA – Você já está definido, vai para a eleição mesmo?

CAFU – Sim, nosso grupo, nós decidimos, e nas convenções vamos acabar de selar. Porque tem as convenções e já decidimos também o vice, que é o Zezinho, o José Maciel de Souza. Ele é empresário, filiado ao Avante, tem 53 anos, natural de Crucilândia, a formação dele é em técnico em Contabilidade e Gestão de Pequenas e Médias Empresas. Ele mora em Itatiaiuçu há 27 anos, é casado, tem um filho. A sua esposa é filha do ex-prefeito Jair Borges, que contribuiu para o desenvolvimento da nossa cidade. Uma coisa bonita que eu achei é que foi ele, o Jair Borges, que construiu a nossa Policlínica, hoje uma referência na cidade de Itatiaiuçu. O Zezinho nunca se envolveu na política, é a primeira vez que se envolve.

FOLHA – Mas, pelo que é de conhecimento geral, ele sempre atuou nos bastidores...

CAFU – É, mas envolvido diretamente nunca, é a primeira vez. Nunca teve cargo eletivo, sempre trabalhou com postos de gasolina, hoje trabalha com transporte de minério. É um cara católico, conservador. E colocou o nome à disposição do grupo, o grupo o escolheu, e ele falou que seu nome está à disposição como pré-candidato.

FOLHA – Vocês têm pesquisas em mãos? Se tem, elas indicam uma situação confortável do Wagner Chaves na próxima eleição?

CAFU – Não. A pesquisa que eu tenho dá um empate técnico entre o Wagner e o Adélcio, e eu venho um pouquinho atrás.

FOLHA – Como você enxerga a administração do Matarazo? Ruim, boa ou ótima?

CAFU – Enxergo como boa. Porque tem muitas coisas que pode melhorar.

FOLHA – Voltando à questão eleitoral, vocês já têm chapa completa de vereadores?

CAFU – Sim, hoje temos 14 pré-candidatos a vereador, uma chapa completa, um trabalho que estamos fazendo... na coligação com o Avante, né? Mas nós temos o nosso partido, o PSB, com 14 pré-candidatos a vereador, que era a nossa proposta, formando assim um grupo forte, somando com a coligação com o Avante, do Zezinho Maciel, que vem com o grupo dele também, que ainda não sei com quantos vem.

FOLHA – Qual será o mote, o argumento, da sua campanha?

CAFU – Eu penso que tudo que a gente faz tem que fazer sendo profissional e com amor. Por isso o nosso slogan de campanha é “Gestão de pessoas, capacitando as pessoas”, este é o nosso slogan.

FOLHA – Você acompanhou de perto a administração do Wagner Chaves. O que você acha dele tentar mais um mandato?

CAFU – Acredito que é um direito de todos, ele tem todo o direito de tentar pleitear mais um mandato. Tive a experiência de trabalhar com ele, dei o meu melhor, acrescentei no esporte, fazendo vários campeonatos na cidade e região. Ele tem direito de participar.

FOLHA – Você acha que ele foi um bom prefeito? O que você mais destaca nas duas administrações dele?

CAFU – Sim. Foram duas administrações boas. Eu destaco que naquele momento houve um boom das minerações, a economia bombou, trazendo um certo conforto para trabalhar. Porque, em vista da cidade que trabalhei para as 18 cidades ao redor, eu via cidade que tinha R$ 15 mil para fazer evento esportivo o ano todo, enquanto aqui nós tínhamos um valor alto. Então é muito... Itatiaiuçu tem uma capacidade de ser uma cidade modelo no Brasil, pela renda que ela tem.

FOLHA – Você não acha que já é uma cidade modelo? O que mais ela precisa para ser modelo no Brasil?

CAFU – Precisa de um pouco mais, porque se tiver ótimo acabamos paralisando, então temos que melhorar mais, pode melhorar mais.

FOLHA – Pela sua formação, pela formação da sua família, a religião vai influenciar no seu governo?

CAFU – Não, porque o candidato ao Executivo não vai trabalhar para A, B ou C, mas sim para todas as pessoas, ele vai servir todas as pessoas.

FOLHA – Você vai conseguir separar isso? Como?

CAFU – Lógico. Trabalhamos com o social hoje, com aproximadamente 130 crianças, vários adultos fazendo zumba, tem lá católicos, espíritas, ateus, maçons, e sempre os pais estão lá conversando com a gente, fazendo reuniões, temos uma estrutura, uma base concreta para poder trabalhar isso. Inclusive neste tempo aqui tenho uma boa amizade com o padre Charley, com o padre Adão, acho que isso não influencia em nada mesmo.

FOLHA – Você quer finalizar com uma mensagem?

CAFU – Pra mim foi um prazer dar esta entrevista, um jornal referência na cidade e região, então gostaria de agradecer. Primeiro quero agradecer a Deus por chegar neste momento, falar que não foi fácil, mas pude obter muito êxito por onde passei. A política dirige nossas vidas e precisamos fazer política de forma racional e inteligente, com uma vontade enorme de conduzir Itatiaiuçu em defesa das pessoas, para o bem de todos, sem mentira, sem engano e sem usar as pessoas pelo interesse. Mas usar a máquina pública em interesse das pessoas de Itatiaiuçu. E gostaria de terminar com o que venho falando nas minhas lives: Deus no comando sempre.

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Última modificação em Sexta, 28 Agosto 2020 16:58